Até me deu PENA


Quem acha que cor de pele define caráter, que vá tomar na cútis um pouco de sol para que a fotossíntese ajude a remover as ideias plantadas. Quem plantou? Agora não é hora de saber. O lance é agir rápido e exterminar essas ervas daninhas. Além disso, a melanina protege, mas cuidado com o melasma e o melanoma. Para maioria não há problema. O problema não é o sol, e sim a alma penada algemada em sua sombra dizendo: “Quem não é branco é inferior, ladrão e sem-vergonha”. O tal fantasma te deu tudo: casa, comida, sobrenome europeu e empregada (que é bisneta de escravos). As ideias semeadas possuem raízes profundas, contudo devem ser extraídas e descartadas. O fantasma branco, tipo o Gasparzinho, não é nada camarada com quem não tem a pele clara, já matou, escravizou, explorou e hoje diz, “Para quê cotas? Chora macacada”.


Entendo que a culpa não é sua, entendo a nefasta estrutura. Nossos ancestrais foram desumanos demais, porém perpetuar crueldades e corroborar preconceitos arcaicos com injúrias raciais não cabe mais. Achismo sem estudo, omissões históricas e sociais e a verdade enviesada de quem sempre foi patrão, regam o vaso cheio de terra, brotando confortável conformismo na confusa cabeça do cidadão. A culpa não é sua por ser branco, mas ela é sua se você for um cuzão. Desculpe o palavrão, fico revoltado com a situação. Quando falo cuzão, quero dizer quem explora a situação e não tem noção. Além disso, quem concorda com o “patrão” sendo um leal peão nesse tabuleiro devastado, também está condenado. A culpa também passa a ser sua quando seus braços cruzam e o assunto muda de rumo no meio da conversa, você vai embora fingindo pressa, alegando que o mundo está muito chato “Amanhã tem futebol... já viu esse vídeo? ...vou indo nessa, outra hora a gente conversa”.


Atrativos alienantes são despejados em jatos pulverizando as mentes envolvidas pela névoa do cotidiano que consome. Você é aquilo que consome, você é consumido por aquilo que consome e quando se dá por conta, repete os ensinamentos dos mestres do absurdo. Telas para os olhos, antenas, fios, fones para os ouvidos e assistimos comovidos meias mentiras mimetizadas com nossas ordinárias verdades. Calúnias de colunistas, colonizados por uma Europa fictícia, em jornais meia boca, nutrem leitores elitistas que reproduzem as ideias estrambólicas para porteiros de prédio, motoristas de táxi, pro tio da farmácia. A estupidez terceirizada atinge em cheio a classe trabalhadora, que não tem tempo e, por vezes, nem o ensino fundamental para questionar o maquiavélico jornal. Dá Câimbra na retina pela fracassada tentativa de ler alguns com seriedade; pena, raiva e vergonha alheia de ouvir outros considerados grandes jornalistas. A indiferença me salva, no entanto sempre ecoa um ruído por este Pampa sem pompas, onde idosos gritam fakenews à luz do dia acompanhados por senhoras e seus bronzeados artificiais. O Guaíba possui algumas ilhas, mas na volta a água é turva demais. Não se enganem, a Rede ainda é forte e propaga sutilmente a mensagem vinda da casa grande. Adolescentes de meia idade fazem piada de tudo, bullying geral e ainda se intitulam como “guris”. Acertam nesse quesito, pois se os são, ainda estão em formação. “Os jovens são irresponsáveis, é tudo brincadeira, deixa eles”. Já deixei, e quem sou eu para dar sermão! Só gostaria de doar a minha indiferença para a população, mas o bombardeio vem por todos os lados. Blitzkrieg de manipulação e manutenção do Status Quo, covarde.


“Ah tá, a culpa do racismo gaúcho é todo da mídia!?” Culpa sim ou culpa não, isso é coisa de cristão, entretanto creio que a função da tal mídia é a manutenção. Se a pele alva faz besteira, sempre ganha uma segunda chance, não? A pele alva sempre é salva. Sorte? Será? Quem não ganha segunda chance é o povo que escuta um machista que pede desculpa e volta com roupa de racista e novamente pede desculpas. Perde programa de rádio ou de televisão, mas ganha seguidores em alguma dessas redes banais e depois é recontratado . A máquina de reciclar fascistas, racistas, machistas, homofóbicos e toda ordem de ordinários, esta nunca estraga e está cada vez mais qualificada.


Não tenho pena, se tenho é pequena com pouca tinta e estranha caligrafia. Contudo, aos que lerem, espero que forcem a vista e enxerguem além das cores locais. Não há mais canais que unifiquem a tão desejada paz. Emissoras da desgraça, para se ter voz o requisito é ser reaça.



O Selo Junte e surte é uma iniciativa do grupo fictício Literasurta. Leia, surte e quem sabe um dia , após juntar 60 selos, receba nossos brindes deprês. Kits de sobremesa, canecas, ventiladores ou alicates; não se sabe o que poderá ser. Então, meu jovem, não perca mais tempo!

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